O Rio Nabão, as Rodas e os Açudes

 

 

Rio Nabão

“O rio Nabão e Tomar são, por assim dizer, duas fases de uma mesma vivência, de uma vida de existência no tempo e no espaço, como protagonistas de uma história forjada pela Mãe Natureza.

Digamos que ela encerra a história de uma vida - a vida de um rio - moldada pelo engenho do Homem .

O primeiro murmúrio do rio surge a SE de Ansião, onde nasce,                                num grande “olho de água”, para depois, alimentado pelas águas do Agroal ,abrir caminho e deslizar por entre a paisagem rochosa e verdejante da planura…

As águas do rio, desde os tempos primitivos foram temidas, apreciadas e louvadas pelo homem que se fixava nas terras férteis do Nabão: primeiramente em grutas e abrigos a sul  do Agroal

… A regularização e o aproveitamento das águas do Nabão remonta aos tempos dos romanos.

 

 

 

As Rodas

 

As rodas hidráulicas tão frequentes nas margens do rio Nabão, reduzem-se a uns tantos exemplares, alguns deles até abandonados, figurando o último nas margens do rio, sendo ela a famosa roda do Mouchão.

…estas rodas de construção bastante sólida, eram semelhantes às das azenhas…o fabrico destas rodas exigia mão-de-obra muito forte assim como a utilização de muita matéria-prima (pinheiro manso e bravo), raramente se utilizava o ferro.

Por outro lado, a construção e a orientação destes engenhos perto das margens de rios de grande caudal no período das chuvas, obedeciam a dispositivos arquitectónicos de segurança dos próprios edifícios evitando assim a sua destruição pela violência das águas.

… Augusto concorreu necessariamente para a construção das primeiras obras de engenharia hidráulica indispensáveis à regularização, ao armazenamento e fornecimento de água a numerosas instalações de foro público, industrial e domiciliário …

 

 

Os açudes

 

Referindo-nos aos açudes que regulavam o caudal das águas, e às rodas hidráulicas que alimentavam os sistemas de rega e de fabricação de farinha e do azeite, há notícia histórica, de que estas fontes de abastecimento, de condução e de distribuição de água, foram monopólio de Templários e dos Cavaleiros de Cristo.

…os açudes existentes no Nabão são por sua vez de dois tipos fundamentais: os açudes de construção maciça, constituídos por pedras e terra e os açudes de estacamento…eram barreiras provisórias de madeira de pinho, erva e areia instaladas provisoriamente tendo em vista a laboração estival de alguns engenhos hidráulicos.’’

In Boletim Cultural da Câmara Municipal de Tomar, nº 17, Outubro de 1992, Salete da Ponte